Paróquia Nossa Senhora de Fátima - Lisboa

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Este não é o meu pai!

No espaço de pouco mais de quinze dias, a doença, em ritmo acelerado, tomou conta dele e deixou-o extremamente fraco, com a lucidez a fugir-lhe e quase sem forças para pronunciar fosse o que fosse…
Quando o foi visitar, alertada pelas notícias que falavam de um agravamento do seu estado de saúde, o choque foi muito grande: havia pouco tempo que tinha estado em casa e nada fazia prever uma evolução tão galopante da doença.
Não estava preparada para presenciar uma decadência tão acentuada e por isso, logo após a visita, ainda no hospital, as primeiras palavras que lhe saíram foram estas: “Este não é o meu pai!”…

Com estas palavras não quis exprimir mais do que o contraste doloroso entre o pai a que estava habituada e ainda tinha visto havia pouco tempo e aquele que agora ali estava deitado…

Mas as suas palavras podiam ter um outro sentido.
E têm, para quem olha para a vida com fé.
Porque a fé é a certeza de que “não temos aqui morada permanente” porque “a nossa verdade está escondida com Cristo em Deus”.
E, se é verdade que espontaneamente temos sempre a tentação de nos pensarmos a partir do presente, o grande desafio da nossa vida é este de nos olharmos percebendo que tudo o que somos está ainda muito longe de ser o que somos chamados a ser e que, por isso mesmo, a nossa verdade está no futuro. É lá que ela brilha em toda a sua plenitude, apesar de estar já escondida, como em semente, naquilo que somos hoje!...
Nada do que somos é apenas aquilo que já somos.

A grandeza e a beleza da fé está em, com São João, aprendermos a viver com a certeza de que somos já, de facto, filhos de Deus, “mas ainda não se manifestou tudo o que havemos de ser”!...
Longe disso!
É esta a nossa esperança!
É ela a força que nos faz caminhar e ensina a integrar tudo o que dói e está para além do nosso entendimento!…
Devíamos ser mais capazes de nos olharmos a nós próprios e aos outros vendo isto que só a fé é capaz de ver…
Sofreríamos menos (ou com mais sentido…).
E faríamos os outros mais felizes…

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